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As 3 Maiores Pirâmides Financeiras da História

07/08/2010

Quando algum faraó egípcio entediado resolveu erguer a primeira pirâmide (ou foram os E.Ts?), ele jamais conseguiria imaginar que séculos depois algumas “pessoinhas” mal intencionadas usariam o conceito pra engambelar milhares de outras “pessoinhas” mal informadas. Milhares de anos depois das pirâmides egípcias, eis que algum desocupado — porém com abastado conhecimento da alma humana — resolveu criar a primeira pirâmide financeira.

Sim, aquelas pirâmides onde você paga uma taxa pra entrar e depois chama outras pessoas pra entrarem no esquema também; onde o dinheiro dos últimos que entraram no esquema é usado pra pagar aqueles que entraram primeiro, e também como embuste para o criador da falcatrua sair alardeando: “olha só, o Fulano [que está no topo do esquema] já recebeu um quintilhão de reais só nessa semana. Tá esperando o quê?”. Nisso, mais uma vítima deixa de comprar algo útil para si mesmo e acaba “investindo” nesses esquemas.

Desnecessário falar que a maioria só vai ver seu dinheiro saindo da carteira.

Mas enquanto alguns amadores montam esquemas piramidais risíveis, a história das pirâmides financeiras teve seus mestres, suas lendas, seus grandes expoentes. Eu falo de gente como:

 

Nº 3 — Dona Branca

A história econômica de Portugal tem duas lembranças amargas: o Tratado de Methuen e a Dona Branca. No caso do Tratado de Methuen, ora bolas, os ingleses já estavam predestinados a dominar o mundo — mais tarde os caras derrubariam Napoleão (a meu ver, o cara mais fodástico na história da humanidade), não tinha como competir com eles —, já a Dona Branca, sem o glamour dos reis e rainhas da Coroa Portuguesa nos idos de 1700, conseguiu abalar a economia popular portuguesa a partir dos anos 50 com um enorme esquema piramidal.

Lá pelos idos de 1950 a economia de Portugal estava mal das pernas, e nesse tipo de cenário deprimente quando as coisas vão mal é que surgem os “heróis”. Para os pobres que moravam em Portugal nessa época (não, “pobre” não é um produto exclusivo nosso), a heroína foi uma simpática cidadã chamada Maria Branca dos Santos. Uma honesta e carismática mulher que mais tarde ficou conhecida como a “banqueira do povo” (lembrei de uma coisa: PARABÉNS Itaú! De nada, viu. Disponha. Estamos sempre aí pra engordar seu caixa).

Como foi o golpe?

Assim como Don Corleone, a Dona Branca começou seu império na agiotagem (só os bancos podem te extorquir legalmente). Começou a emprestar dinheiro sem burocracia, sem exigir garantias, sem penhores, sem nada — quase como aqueles idiotas que causaram a bolha no mercado imobiliário americano esses tempos atrás, lembra?

Além de emprestar dinheiro, ela também oferecia sua própria poupança (se você maliciou é porque tem a mente suja) com juros muito mais atraentes que aqueles oferecidos pelos bancos. E na época, com uma economia falida e uma moça bonita ofertando juros maiores que os bancos, com quem você acha que as pessoas deixavam suas economias? Com a Dona Branca, claro.

Com várias pessoas deixando suas economias aos seus cuidados, ela tinha muito dinheiro em caixa pra emprestar, e como na época Portugal passava por uma série crise econômica, a boa samaritana Dona Branca emprestava dinheiro a juros altíssimos. Essa jogada foi crucial para ela honrar as dívidas com seus investidores e angariar fama de ótima investidora.

Como ela oferecia rendimentos exorbitantes em torno de 10% ao mês, sendo que na época os bancos ofereciam 30% ao ano, as pessoas apenas depositavam mais e mais dinheiro. O problema é que o dinheiro não era investido em nada, não se multiplicava, era dinheiro parado provavelmente no colchão da Dona Branca.

Então, como funcionava o esquema? Simples, se hoje Manuel depositasse 100 contos no banco da Dona Branca, e amanhã Pedro depositasse 100 contos, ela tirava 10% do depósito de Pedro pra pagar os juros mensais de Manuel. Mas dai quem cobriria os rendimentos de Pedro? O cara que depositasse dinheiro depois de amanhã, ora pois, gajo. O esquema era piramidal, dependia do crescimento contínuo na base de clientes, pois se pessoas parassem de depositar, a Dona Branca não teria como honrar seus compromissos com os clientes mais novos.

E mesmo assim, não é que o esquema funcionou por décadas? Funcionou por mais de 3 décadas pra ser preciso.

Quando a casa caiu?

O esquema da Dona Branca entrou em colapso quando jornalistas xeretas resolveram escrever matérias sobre seus métodos. Foram correndo contar aos bancos e ao governo português sobre o esquema da Dona Branca.

Ai a casa caiu.

Quando as pessoas descobriram que seus rendimentos não vinham do urso que cagava ouro no quintal da Dona Branca, mas sim deles mesmos, todos surtaram e fizeram a maior bagunça nos escritórios da simpática velhinha. Quebra-quebra, confusão generalizada, gente que investiu a hipoteca da casa desmaiando. O cenário típico quando você coloca na mesma sala pessoas que acabaram de perceber a burrada épica que fizeram.

Depois disso a Dona Branca foi presa, morreu e sua história acabou virando novela, “A Banqueira do Povo”.

Mas quem seria mais picareta que a Dona Branca? Que tal…

 

Nº 2 — Charles Ponzi

O número 2 na lista é Charles Ponzi, simplesmente o cara que inventou o esquema Ponzi, pai de todo esquema piramidal.

Charles Ponzi foi uma espécie de Tony Montana dos picaretas, só que italiano e sem os pensamentos incestuosos. Imigrante numa América bamba no inicio do século XX, Charles Ponzi descobriu que havia uma maneira bem bacana e descolada de ganhar dinheiro: agiotagem.

“Se funciona com os bancos, por que não funcionaria comigo?” deve ter pensado o pequeno Ponzi quando decidiu entrar no ramo.

Ponzi entrou no ramo de empréstimos prometendo juros de 50% dentro de 45 dias ou de 100% dentro de 90 dias. Isso sim é banco, Itaú, aprende!

Como foi o golpe?

Charles Ponzi, assim como sua pupila, a Dona Branca, pagava altos juros aos seus investidores antigos com o dinheiro dos novos investidores, e como ele oferecia juros exorbitantes não faltavam novos investidores, e assim o ciclo se fechava. O problema é que não era bem um ciclo, mas sim uma corrente, um esquema em que se as pessoas parassem de entrar, estaria fadado ao colapso.

Viu só? Pirâmide financeira: o dinheiro só flui das mãos dos últimos que entraram para as mãos dos velhos investidores, e se a base de investidores minguar, todo o esquema vai por água abaixo. A grande vantagem do esquema de Charles Ponzi para seus participantes é que eles não precisavam recrutar ninguém.

Quando a casa caiu?

Quase que nos mesmos moldes da Dona Branca, quem começou a arruinar o esquema de Charles Ponzi foi um xereta. Bastou alguém dizer que “olha só, não tem como o cara pagar esses juros todos pra todo mundo” e o pânico entre os clientes de Ponzi se instalou. Em 1920 o Boston Post, um jornal da época, resolveu contratar um especialista pra analisar o esquema de Ponzi. O analista concluiu que Ponzi não teria como cobrir suas ofertas de rendimento.

Mas calma lá! Eu ainda não mencionei, mas Charles Ponzi tinha uma fachada! Aham, Charles Ponzi investia o dinheiro de seus clientes em cupons de selos postais que eram comprados a preços baixos em outros países e revendidos nos EUA.

Pena que revender esses cupons não davam lá muito retorno, e quando o analista do Boston Post calculou que deveriam existir mais de 160 milhões de cupons em circulação para cobrir os compromissos de Ponzi, mas que na verdade haviam pouco mais de 27 mil cupons em circulação, bom, meu amigo, ai foi o caos:

scary_cat

Ai foi aquela velha história que já conhecemos e que o pessoal da AFTB vai conhecer em breve: quando os investidores descobrem que o esquema não tem sustentabilidade a longo prazo, todo mundo tenta reaver a grana, mas ai é tarde demais.

Charles Ponzi foi condenado em vários estados americanos, saindo da cadeia de um estado e indo pra cadeia de outro. Cumpriu a sabatina durante 15 anos. Depois de cumprir todas suas penas, o que Charles Ponzi fez?

Veio para o Brasil!

Isso, amiguinhos, ele precisava de um lugar pra fazer suas falcatruas onde não fosse incomodado por uma tal de justiça. Só que Ponzi já estava velho e cansado demais, e se contentou apenas com um emprego comum aqui no Brasil antes de morrer em 1949.

Ele fez história, legislações foram criadas no mundo inteiro pra coibirem novos esquemas Ponzi pelo mundo. Pena que alguns anos mais tarde o cara que inventou o marketing multinível conseguiu circundar todas essas legislações, mas ai é outra história.

Porque agora vamos conhecer o maior, o melhor, o único, o mega-picareta das pirâmides financeiras:

 

Nº 1 — Bernard Madoff

O Napoleão Bonaparte dos esquemas piramidais definitivamente foi Bernard Madoff.

Como foi o golpe?

No Brasil, pra engambelarem mais pessoas, os malandros que montam esquemas piramidais acabam constituindo empresa e adquirindo um CNPJ. Isso basta para muitos idiotas, que argumentam: “Uga Uga, o negócio não é uma fraude porque tem sede e até CNPJ, Uga Uga”. Bom, sei que é difícil para certos neandertais entenderem que um registro burocrático como o CNPJ não é garantia de que a empresa não opera um esquema piramidal. É só um registro, mais nada.

Agora, fico imaginando o que esses imbecis fariam se conhecessem Bernard Madoff, um cara que operou um esquema piramidal por décadas e tinha um escritório luxuoso no meio de Wall Street! Isso, amiguinhos, enquanto a Herbalife se orgulha de negociar ações na NYSE, Bernard ‘fucking’ Madoff tinha seu próprio escritório em Wall Street! Quão maneiro é isso?

Desde 1960, quando Madoff fundou a Bernard L. Madoff Securities, até 2008 quando foi preso, sua empresa tinha colocado as mãos em mais de 65 bilhões de dólares.

Mas diferente de Dona Branca e Charles Ponzi, Madoff tinha uma rede complexa de negócios escusos que iam de fraudes eletrônicas à lavagem de dinheiro. Mesmo assim, o pão com manteiga dos esquemas de Madoff era um esquema Ponzi que movimentou bilhões de dólares durante décadas antes de ser desmantelado em 2008.

Quando a casa caiu?

Em 1999 um cidadão chamado Harry Markopolos cantou a bola de que, talvez, Bernard Madoff estivesse operando um esquema piramidal, ou algo do gênero, pois para Harry era matematicamente impossível Madoff pagar todos aqueles altíssimos rendimentos a todos seus investidores.

O bom samaritano Harry avisou o pessoal da SEC em Boston, que eram os responsáveis por investigar esse tipo de acusação. Mas o pessoal da SEC não deu muito bola para as acusações de Harry contra Madoff, e nem se deram ao trabalho de investigá-las.

 

Harry Markopolos não desistiu, e em 2007 avisou o pessoal da SEC em Nova York que Madoff estava operando um esquema, no mínimo, suspeito. Os caras de Nova York também não deram ouvidos ao pobre Harry e ignoraram suas acusações contra Madoff, afinal de contas Madoff era responsável por operar bilhões de dólares e tinha seu escritório no meio de Manhattan, ora bolas; ele não podia estar operando um esquema piramidal bem debaixo do nariz da SEC de Nova York durante décadas. Podia?

Podia!

 

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Bernard Lawrence Madoff estava operando um esquema Ponzi bilionário em plena Wall Street há décadas!

Fato é que a SEC não gosta de incomodar empresas bilionárias — Enron que o diga — e Madoff tinha um prestigio astronômico entre seus investidores, além do mais, para os engravatados de Wall Street ninguém seria tão audacioso de gerenciar um esquema piramidal bilionário em plena Manhattan, na Grande Maçã.

E assim como na estrada, quando você pensa que o desgraçado da frente jamais vai mudar de faixa sem dar sinal, o pessoal da SEC também confiou no bom espirito humano de Madoff e resolveu não incomodá-lo.

Porém, ao melhor estilo das tragédias Shakespearianas, Madoff acabou sendo dedurado às autoridades pelos próprios filhos, que acharam estranho ver o pai oferecendo bônus milionários a seus investidores, quando na verdade estava tendo dificuldades até para pagar seus débitos com os bancos.

Ai a casa caiu.

No final o advogado de Madoff processou os filhos dele por terem dedurado o esquema(!), a SEC (finalmente!) baniu Madoff e o proibiu de fazer qualquer negócio envolvendo seguros, os investidores de Madoff entraram pra história como patos do maior esquema Ponzi que já existiu, e Bernard Madoff está cumprindo pena nessa cadeia maneiríssima:

 

Pelo menos o malandro foi preso e o esquema derrubado, já o Paulo Maluf…

Esses são os casos mais notáveis de esquemas Ponzi, onde a lógica é usar o dinheiro dos últimos que entraram no esquema, seja ele piramidal ou na forma de corrente, pra pagar aqueles que entraram antes. Fica fácil perceber que a sustentabilidade depende da corrente nunca ser quebrada, e nos casos que envolvem recrutamento ad infinitum de participantes a coisa ainda piora, por causa da rápida saturação.

Portanto, desconfie de negócios oferecendo retornos altíssimos em pouco tempo. Claro que existem investimentos com taxas de retorno altíssimas, por exemplo, se você for o polvo Paul pode fazer fortunas no mundo das apostas — ok, só faça isso se você realmente for o polvo Paul, não recomendo o mundo das apostas para bípedes humanos sem premonição.

Todo investimento tem riscos, até no mercado de apostas, e quanto maior o risco, maior o retorno (em geral). Só que quando um malandro chega oferecendo um investimento com altíssimo retorno e baixíssimos riscos, bom, amigo, ai é hora de ligar o desconfiômetro e lembrar dos conselhos de He-Man:

 

 

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21 Comentários leave one →
  1. gap permalink
    03/09/2010 13:51

    Gracias

  2. Jonas permalink
    06/09/2010 1:07

    E a Previdência?

    Ganha de todos esses, de lavada.

    • gap permalink
      06/09/2010 16:59

      não, caro imbecil, a previdência não tem nada a ver com esses esquemas. Se todos que contribuem com a previdência quiserem sacar todos os beneficios hoje, eles podem? Não. Sem contar tempo de contribuição. Então, tem que ser muito imbecil pra comparar a previdência social com esses esquemas que acabaram com as economias de milhares pessoas.

  3. Flavio permalink
    06/09/2010 15:40

    Parabéns pelo excelente Blog.
    Encontrei na hora certa!
    Um amigo acabou de entrar para a Forever e já estava tentando me convencer a entrar para o grupo também.

    Comprei alguns produtos, como o desodorante o shake e o creme dental.
    Quero ver se são bons mesmo, porque custaram caro.
    O desodorante eu já estou com dúvidas, porque um colega de trabalho acabou de me falar que já usou e ele foi pior que um rexona.

    Quanto a ingressar do sistema da Forever, depois de tudo que li aqui, nunca vou entrar.

    Abraços de mais um frequentador assídou deste blog.

  4. Jonas permalink
    06/09/2010 22:19

    A seguridade em si não é um esquema ponzi. A seguridade social compulsória promovida pelo estado brasileiro e vários outros é. O elemento definidor de uma pirâmide está presente nas previdências nacionais – que não é a impossibilidade de todos sacarem os recursos simultaneamente: os atuais beneficiários são pagos mais com o dinheiro dos atuais contribuintes do que com os recursos provenientes de investimentos; e à medida que o tempo passa a tendência é que o número de potenciais contribuintes diminua e o de potenciais beneficiários aumente. Sem contar os critérios muitas vezes absurdos para as concessões de aposentadorias e pensões. É um esquema insustentável.

    Que o governo possa “resolver” tudo em alguns canetaços – como ao inflacionar a moeda – para fechar a conta na marra não muda essa realidade.

  5. Fernando permalink*
    21/09/2010 22:58

    Jonas – A seguridade em si não é um esquema ponzi. A seguridade social compulsória promovida pelo estado brasileiro e vários outros é.

    ————————— Não existe essa de seguridade em si e seguridade social compulsória. O que existe são sistemas PÚBLICOS e PRIVADOS de Previdência Social. As principais características dos sistemas de previdência são:

    1) o regime financeiro (repartição X descapitalização). Quanto à repartição, os recursos escolhidos pelos contribuintes são destinados a cobrir os gastos com os atuais aposentados e pensionistas. Historicamente, esse regime de repartição mesclou solidariedade profissional e solidariedade social. Quanto à solidariedade profissional, os trabalhadores da ativa contribuem para financiar as aposentadorias dos trabalhadores inativos. Já no regime de solidariedade social, além das contribuições dos trabalhadores da ativa, o financiamento do sistema previdenciário é realizado a partir de contribuições e impostos sobre toda a sociedade, inclusive os empresários.

    Por outro lado, nos sistemas privados baseados na ideia de seguro individual, o regime financeiro preponderante é da capitalização. Na capitalização plena e individual é criado um fundo individual em que cada contribuinte deposita seus recursos periodicamente até o momento de sua aposentadoria. Neste regime, as características básicas são as contas individuais, a formação de fundos aplicáveis e a relação estrita entre contribuições e benefícios. Por isso, pelo fato dos recursos depositados periodicamente não serem utilizados para financiar a aposentadoria dos atuais beneficiários do sistema previdenciário, esse regime leva a formação de fundos individuais que são geridos por gestores institucionais, os famosos FUNDOS DE PENSÃO. Com isso, o que se tem é uma mudança na forma básica de organização da rede de proteção social. De acordo com o sistema de repartição, há um certo pacto entre classes e gerações, condizente com a formação dos Estados de bem-estar social. Por outro lado, pelo regime de capitalização, mais condizente com a “racionalidade” liberal, constitui-se o chamado cidadão-consumidor que compra individualmente no mercado seu benefício futuro. Nesse sistema, os recursos necessários ao financiamento da previdência social continuam sendo produzidos pelos trabalhadores ativos. O que acontece é que, no regime de capitalização, esse processo é OBSCURECIDO.

    Com os sistemas privados baseados na ideia de seguro individual, atinge-se um dos objetivos centrais do processo de financeirização da riqueza, a geração de um grande fundo previdenciário privado necessário à valorização do capital retido no sistema financeiro. Fundos advindos do sistema de repartição não entram na ciranda da questão da valorização no mercado financeiro, então os ideólogos de plantão se esforçam para criar idiossincrasias que maquiam o verdadeiro objetivo dessa defesa entusiasmada do sistema de capitalização em detrimento do sistema de repartição. Mas veremos isso mais detalhadamente à frente.

    2) o tipo de plano: benefícios universais X benefícios definidos X contribuições definidas.

    Quanto aos benefícios universais, são estabelecidos por lei e garantem renda a todas as pessoas, sejam essas contribuintes ou não. Para seu financiamento é estabelecida a contribuição de trabalhadores, empresários e outros recursos fiscais.

    Em relação ao sistema previdenciário com plano de benefícios definidos, o valor dos benefícios é previamente estabelecido por lei e as contribuições variam em função desse valor. Primeiro é estabelecido o valor dos benefícios e só depois se define o valor das contribuições para seu financiamento, sendo o benefício concedido de acordo com o valor e o tempo das contribuições na ativa. Podem ser planos de repartição ou de capitalização.

    Quanto às contribuições definidas, que é mais condizente com a concepção de seguro individual, os benefícios não são definidos de forma prévia e dependem do valor acumulado na conta individual do segurado, a partir do resultado que suas contribuições obtiveram nos investimentos dos fundos de capitalização. Nesse sentido, o que o caracteriza é o fato de que os riscos sobre o futuro recaem sobre o segurado, mesmo considerando que parte do risco pode ser amenizado pelo governo (segundo Thompson, em “A Economia dos Sistemas Previdenciários”).

    3) administração dos fundos previdenciários, público X privada: sistemas de administração pública são aqueles em que a administração dos fundos previdenciários e a garantia dos benefícios é realizada pelo Estado. Já nos sistemas privados, os fundos previdenciários são administrados por instituições próprias do mercado. Assim, mesmo que o estado ofereça algumas garantias, os riscos recaem na sua quase totalidade sobre os segurados.

    Portanto, em contraposição aos sistemas públicos, em que há preponderância do regime de repartição com administração pública, os sistemas privados são aqueles em que o sistema é financiado pelo regime de capitalização com administração privada dos fundos previdenciários. No caso dos sistemas privados, sua operacionalização é realizada a partir dos fundos de pensão, entendidos como a concentração de vários fundos previdenciários individuais e capitalizados geridos por profissionais especializados.

    Dessas opções (1, 2 e 3), o sistema público desenvolvido no auge do estado do bem estar social (1945-1973) e suas variantes se caracterizavam pela preponderância do regime financeiro de repartição, pelo plano de benefícios definidos e pela administração pública dos fundos previdenciários. Todavia, nessa atual fase de ofensiva contra os ganhos advindos da época do estado de bem estar social, há uma forte pressão para que esses sistemas sejam substituídos por sistemas multipilares com preponderância de sistemas privados baseado no regime de capitalização com planos de contribuições definidas.
    Sistemas multipilares são aqueles baseados na proposta e no gerenciamento definidos pelo Banco Mundial, baseados em vários documentos, como o estudo de Robert Holzman e Richard Hinz, intitulado “Apoio à Renda dos Idosos no Século XXI: uma perspectiva internacional sobre pensões e reformas”. Resumindo o teor do documento, este parte do princípio da existência de crescentes pressões demográficas e econômicas que colocariam a necessidade da promoção de reformas nos sistemas de previdência social, pois os atuais sistemas públicos de pensão (unipilares) não cumpririam seus objetivos sociais, distorceriam as operações de mercado e não seriam financeiramente sustentáveis. Assim, com os objetivos de reduzir, prevenir a pobreza e enfrentar os riscos variados que afrontariam os sistemas previdenciários, torna-se salutar a utilização dos sistemas multipilares.

    Um primeiro pilar seria o pilar público, que não requer contribuições e paga benefícios na forma de uma pensão ou dividendo social, proporcionando um nível mínimo de proteção. Um segundo pilar, OBRIGATÓRIO, seria a existência de um sistema coletivo básico ou de mínimo assistencial, administrado pelo setor público com financiamento fiscal. Seria financiado por impostos ou contribuições de empregados e empresários sobre os salários. Um terceiro pilar, compulsório, diz respeito à administração pelo setor privado, financiado com contribuições sobre os salários através de um regime de capitalização, administrado por múltiplas administradoras segundo as regras de mercado, havendo segmentação entre riscos previsíveis e imprevisíveis. Um quarto pilar, COMPLEMENTAR aos dois anteriores, seria organizado nos moldes do segundo, mas com filiação voluntária. Sua finalidade principal seria elevar o valor das aposentadorias e pensões para quem deseja receber valores superiores àqueles prometidos pelo pilar intermediário e opera de modo parecido a esse pilar. E um quinto pilar, composto por fontes informais intra-familiares e intergeracionais de apoio tanto financeiro quanto não financeiro para idosos, inclusive o acesso à saúde e moradia. Esse pilar expressa a tendência do Banco Mundial de transformar as políticas sociais em assunto de filantropia das famílias, igrejas, ONG’s, OSCIP’s etc. No Brasil funcionam o primeiro, terceiro e quarto pilares.

    Então, nessa discussão sobre previdência o que está em jogo é a visão de duas concepções de proteção diferentes: a da seguridade social X seguro individual!

    Quanto à seguridade social, como já dissemos, temos um sistema de cobertura social destinado a TODOS que estão em necessidade; não restringe benefícios nem a contribuintes, nem a trabalhadores, e estende a noção de risco social, associando-a não apenas à perda ou redução da capacidade laborativa (por idade, doença, invalidez, maternidade, acidente de trabalho), como também à insuficiência de renda, por exemplo.

    Já a seguridade individual tem a ver com a ideia de responsabilidade individual, e não social, presente na agenda liberal-conservadora (isso mesmo, libera aquilo que interessa a determinados grupos e ao mesmo tempo conserva aquilo que garante a perpetuação desse grupo ao longo do tempo e da história). A discussão do Banco Mundial coloca foco principalmente no segundo e no terceiro pilar, ambos de cunho obrigatório e compulsório, visando a expansão dos fundos de pensão, os grandes fundos de previdência formados a partir da concentração de fundos INDIVIDUAIS e capitalizados geridos privadamente por investidores especializados. São as poupanças previdenciárias dos trabalhadores, que pelas suas características, gigantescas massas de recursos financeiros, despesas previsíveis e de longo prazo e receitas com fluxo regular, tem um papel de grande destaque na atual fase do capitalismo, a fase da financeirização da riqueza. Os grandes atores dessa fase do capitalismo são os fundos de pensão, fundos mútuos, companhias de seguro e outros fundos de investimento. São os grandes detentores de poupança desde fins da década de 70, os aplicadores financeiros mais importantes devido a grande massa organizada e concentrada de dinheiro que controlam, movimentando assim as engrenagens da valorização fictícia do dinheiro. Vide a crise financeira que tivemos a 2 anos atrás, a pior dos últimos 80 anos, e que hoje continua a respingar sobre a economia real de todos os países, com ênfase nas economias dos EUA e da Europa.

    Essa crise começou com a bolha do mercado imobiliário norte-americano, que logo se alastrou para o mercado de capitais, parte integrante do sistema bancário e financeiro. Como os papéis podres eram dados como garantia de operações complexas, de grande valor e de grande risco, com um sistema financeiro interligado a crise financeira americana logo se alastrou para o sistema financeiro internacional, impactando diretamente no setor produtivo da economia global, pois significou retração violenta no crédito e financiamento do consumo e do investimento. E o pior de tudo é que a população desses países pagou e continua pagando/bancando o custo da pulverização do dinheiro por conta de uma minoria que sempre arriscava buscando lucros de forma frenética e curto-prazista, especulando sobre a economia desses países. E um dos motivos para o advento da crise foi a liberdade excessiva dada justamente a esses atores para manejarem suas operações, cuja natureza são aplicações em ativos financeiros de CURTO PRAZO, e não em investimentos produtivos de longo prazo, que geram produção.

    Jonas – O elemento definidor de uma pirâmide está presente nas previdências nacionais – que não é a impossibilidade de todos sacarem os recursos simultaneamente: os atuais beneficiários são pagos mais com o dinheiro dos atuais contribuintes do que com os recursos provenientes de investimentos; e à medida que o tempo passa a tendência é que o número de potenciais contribuintes diminua e o de potenciais beneficiários aumente.

    —————————– Típica declaração de um leigo. Vc confunde aqui alhos com bugalhos. O elemento definidor de uma pirâmide está no recrutamento sistemático e ad infinitum para auferir ganhos fixados no plano de remuneração da empresa de MMN, ganhos esses que se concentram no topo da hierarquia do sistema de distribuição. A base de distribuidores, em um sistema de distribuição que utiliza o MMN, PERDE DINHEIRO. Na previdência social, existe a transferência de recursos, dentro de nosso sistema de repartição, de dinheiro líquido, certo e REAL, com déficit ou sem déficit. A maioria ganha um salário mínimo, mas RECEBE o dinheiro. E outra, essa do déficit insustentável é altamente discutível e um argumento muito bem articulado e defendido dentro da proposta liberalizante das instituições multilaterais, absorvida pelos principais órgãos de imprensa e parcialmente absorvida pelo governo. Visam dar apoio ao mantra da austeridade fiscal e, principalmente, à redução dos gastos com seguridade social e a privatização parcial da previdência dos servidores públicos. Explico:

    Como já disse anteriormente, os investidores institucionais, entre ele os fundos de pensão, são os aplicadores financeiros mais importantes no sistema financeiro internacional devido à massa organizada e concentrada de capital-dinheiro que controlam, possuindo tendência de curto prazo de natureza especulativa. Esses fundos de pensão representam grande parcela do mercado de ações em que o sistema bancário e financeiro é desenvolvido, como EUA, Reino Unido e zona do euro, e importância um pouco menor em países em desenvolvimento, mas não menos relevante, como o Brasil. Com isso, suas ações influenciam fortemente as bolsas de valores desses países. Milhares de aposentados, por exemplo, perderam suas economias há dois anos atrás, por conta desses fundos de pensão estar atrelados aos papéis podres ligados à dinâmica do mercado imobiliário norte-americano. Fannie Mae e Freddie Mac, assim como vários outros bancos nos EUA e no mundo quebraram por estar envolvidos com essa lógica. Para entender melhor sobre um pouquinho do processo de financeirização da riqueza, dê uma olhada no link abaixo:
    .

    http://industriadadecepcao.wordpress.com/2007/10/07/sobre-conhecimento-patroes-e-empregados/

    .
    Dentro desse contexto, surge o diagnóstico de que o sistema previdenciário brasileiro está em crise, que é um esquema insustentável, que a reforma da previdência é imprescindível para impulsionar o desenvolvimento econômico do país e blábláblá. Fundo de pensão precisa do dinheirinho contido nos fundos públicos, daí elaboram argumentos discutíveis pra tentar convencer a platéia de que repassar tudo para o setor privado é o melhor caminho possível. Ledo engano: como já disse acima, os principais objetivos de uma reforma da previdência no Brasil estariam ligados à redução de gastos do governo, à privatização parcial da previdência dos servidores públicos e ao desmonte da seguridade social brasileira.

    Para levar a cabo esses objetivos, além da exigência para se conquistar a credibilidade do mercado financeiro internacional para a manutenção e aprofundamento do ajuste fiscal (redução de gastos) e estabilidade monetária, é interessante, em primeiro lugar, que a proposta de reforma também encontre ressonância entre os grupos que estão no poder dentro do governo. Esses interesses estariam ligados, por exemplo, à gestão dos fundos de pensão das empresas estatais (Exemplos do PREVI, da Caixa, e do PETROS, da Petrobrás). E em segundo lugar, seria de suma importância convencer os atores sociais que seriam as distorções das REGRAS DE BENEFÍCIOS do sistema de previdência dos SERVIDORES PÚBLICOS (regido pela lei 8112/90 – o famoso regime ESTATUTÁRIO) que levaria ao desequilíbrio atuarial e ao déficit no regime GERAL de previdência social (que atende aos trabalhadores da iniciativa PRIVADA), principalmente o argumento de que a regra de cálculo das aposentadorias e pensões não guardaria relação com o passado contributivo dos servidores, por ser realizado com base na última remuneração, depois da galera já ter conquistado trezentas promoções e duzentos benefícios! Estimativas mostram que existem cerca de 900 mil aposentados e pensionistas no serviço público. Já o regime geral atende cerca de 27 milhões de aposentados e pensionistas, sendo que dois terços recebem um salário mínimo. Já entre os que recebem mais de um salário mínimo, a média salarial não chega a R$ 800. A previsão é que, somados os déficits dos servidores e do regime geral, teremos um número próximo de R$50 bilhões.

    Então, o objetivo anunciado de uma mudança no regime de previdência social é alterar as regras para reduzir o elevado déficit da previdência dos servidores, de modo a diminuir as disparidades com o regime GERAL de previdência (diminuir um para compensar o outro) e estimular o desenvolvimento econômico, seja pelo descomprometimento de recursos e sua utilização em outras áreas sociais prioritárias, seja pelo aumento da poupança e do investimento advindo da regulamentação dos fundos de pensão (isso mesmo, olha os fundos de pensão aqui novamente!). Seria uma questão de justiça social. Mas há três pontos principais que tornam esse mantra do déficit insustentável muito questionável. São eles:

    a) a organização do regime de previdência dos servidores se basear no sistema de pró-labore facto. Neste, a aposentadoria é uma extensão da atividade resultante do prolongamento da relação entre o servidor e o Estado. Esse sistema, diferentemente dos regimes contributivos (de repartição e capitalização) nos quais os benefícios têm como base de cálculo as contribuições vem sendo, historicamente, considerado como despesa do Estado originada da relação contratual dos servidores (lei 8112/90, derivada da CF/88, mais voltada para características de um “estado de bem-estar social”). Na verdade, vigorava para os servidores o regime pro labore facto, enquanto os demais servidores passaram a contribuir para o INPS, hoje INSS. Até 1993, a previdência de grande parte dos servidores públicos era organizada sob esse regime. Acontece que a lei 8112/90 estabeleceu a incorporação de grande parte dos servidores celetistas ao recém-criado regime jurídico único (lei 8112) sem que suas contribuições ao regime geral de previdência social fossem contabilizadas. Com isso, entre 1991 e 1994, o grande aumento da participação relativa do gasto com aposentados e pensionistas, civis e militares, no gasto total de pessoal do governo federal, de 25% para 42%, foi devido à essa transferência, consoante Guerzoni Filho (1999). Esse é um dos motivos pelos quais esse mantra do déficit insustentável é que é difícil de ser engolido, seja pq o regime não pode ser considerado inteiramente contributivo, seja pq caso se considere o regime como tal, os custos de transição, bem como as contribuições dos servidores no passado, deveriam ter sido considerados.

    b) Os gastos do Estado com a previdência dos servidores está estável, por conta da baixa contratação e reajuste salarial, além do elevado número de aposentadorias nos últimos anos. Isso é escondido pela mídia e pelo governo. Conforme nos demonstra Souza (2006), as despesas da União com aposentados e pensionistas vêm se mantendo num patamar estável em relação ao PIB, sendo bem menor do que o crescimento das receitas totais da União. E esse patamar estável decorre da contratação de servidores não ser muito alta, além dos baixos reajustes salariais dos atuais servidores. Os dados do trabalho de Souza mostram até que, no período de 1995 a 2004 (pegando todo o governo FHC e pequena parte do governo Lula), os servidores civis federais passaram de 661.082 para 571.335. Agora, do ponto de vista ABSOLUTO, o gasto total com pessoal dobrou de 1999 a 2007, passando a R$80 bilhões, enquanto que o aumento das receitas correntes líquidas do governo federal triplicou, indo a mais de R$250 bilhões. Ou seja, uma situação perfeitamente financiável. Mesmo a seguridade social, que faz parte do regime geral de previdência social e não do regime dos servidores civis, apresenta-se superavitária.

    Além disso, como nos demonstra Mattos (2009), a proporção do emprego total e público no Brasil é bem menor do que em outros países, como EUA, Japão, Nova e Zelândia e na Europa, com maior destaque para os países nórdicos, que possuem mais de 30% da força de trabalho empregada no setor público. Coincidentemente os nórdicos, adeptos do chamado Estado de Bem-Estar Social, estão entre os países com maior qualidade de vida no mundo! Coincidentemente, pois o estado de bem-estar é um dos fatores (um dos principais, é verdade) que explicam essa qualidade de vida.

    c) reformar significaria promover justiça social. Esse argumento seria em virtude dos tão falados insustentáveis e injustos déficits dos servidores em relação ao regime geral de previdência social. O problema desse argumento da justiça é que as aposentadorias com valores extremamente elevados representam a exceção e não a regra da previdência dos servidores. Segundo Marques e Mendes (2003), as aposentadorias com valores extremamente elevados representam apenas 0,1% das aposentadorias pagas aos servidores públicos. Isso não quer dizer que não existam privilégios, mas quer dizer que essa não é a regra geral. Além disso, como demonstra o estudo acima, a discrepância na regra dos benefícios apenas expressa realidades salariais e regras previdenciárias diferenciadas. E a explicação para a média dos benefícios dos servidores ser mais elevada é que, em geral, estes possuem empregos mais qualificados, maior estabilidade de emprego, além de terem benefícios calculados de forma integral sobre a última remuneração e sem teto de contribuição, e seriam resultado apenas de condições de trabalho diferenciadas.

    Portanto, a discussão sobre o futuro dos sistemas públicos de previdência deve se pautar pelos problemas enfrentados por esse regime diante das baixas taxas de crescimento econômico, do crescente desemprego, dos baixos salários e da precariedade que marcam o mercado de trabalho atual. Isto é, a chamada crise dos sistemas previdenciários deve ser tratada dentro da própria crise do sistema capitalista. A reforma da previdência no Brasil e em outros países do mundo, baseadas nesses argumentos da insustentabilidade do déficit se prestam, na verdade, à redução de gastos e privatização dos serviços públicos, para manter a credibilidade do Estado em honrar seus compromissos financeiros (credibilidade pautada nos fundamentos econômicos do mainstream, que se resumem ao ajuste fiscal, à estabilidade monetária para facilitar o cálculo econômico e as taxas de câmbio flexíveis). E já sabemos no local em que essa lógica das finanças é capaz de levar as pessoas comuns, os simples mortais: pra vala! Hoje os arautos desse tipo de pensamento e defensores do sistema financeiro deram um tempo, por conta do turbilhão pelo qual a economia passou há dois anos atrás e suas consequências que se fazem sentir nos dias atuais em todo o mundo. Mas já começam a colocar suas garrinhas de fora novamente, vide algumas incursões na mídia e em grandes jornais de circulação.

    Jonas – Sem contar os critérios muitas vezes absurdos para as concessões de aposentadorias e pensões. É um esquema insustentável.

    ————————— Como já mostrei acima, essa de “esquema insustentável” não é bem assim. Releia novamente se, ao chegar aqui, ainda não conseguiu entender isso.

    Jonas – Que o governo possa “resolver” tudo em alguns canetaços – como ao inflacionar a moeda – para fechar a conta na marra não muda essa realidade.

    —————————- Nenhum governo do mundo hoje, exceto o dos EUA, pode se dar ao luxo de fazer uma gracinha dessas sem maiores consequências. E faria não para bancar um sistema de previdência, mas para diminuir a pressão sobre seu balanço de pagamentos e sobre seu déficit público; vide hoje mesmo, com as dificuldades advindas da crise financeira, a impressão de títulos do Tesouro (que funciona como meio de pagamento, uma espécie de moeda) que são absorvidos por investidores do mundo inteiro. 70% das divisas no mercado internacional estão lastreadas em títulos públicos americanos, em DÓLAR. 70%!! Não há margem de manobra para o resto dos países. E o governo brasileiro não fará a besteira de imprimir papel moeda para financiar qualquer déficit que seja. Existe outra forma de fazer isso, que é reduzir gastos, trabalhar com a carga tributária, expandir além do normal a Base Monetária (papel moeda em poder do público mais reservas bancárias), através de operações no mercado aberto (open market), recompra de seus próprios títulos públicos. Pois o Banco Central trabalha com a redução ou aumento da base monetária todos os dias, faz parte das ações cotidianas da política monetária do governo. Agora, uma coisa é trabalhar com enxugamento e liquidez de ativos monetários cotidianamente, outra coisa é majorar a expansão da base monetária para cobrir rombos aqui ou ali. Hoje a política econômica brasileira e na maioria dos países do mundo não funciona assim.

  6. Conhecimento permalink
    10/04/2011 6:14

    Nice!

    Sempre repitirei isso!

    A forma de vendas e seus lucros.
    Para ser um empresa, é óbvil, tera que anunciar
    seus produtos e serviços
    Geralmente, os produtos sao mortos.
    Em uma empresa, o produto é morto, quando não há movimento.
    Nesse caso, o produto real em verdade são as pessoas.
    Por que uma empresa não sustenta pessoas, com produto morto.

    A pessoa tem que ser muito ruim de alma, se quiser passar a dor de
    adiante e gerar conflitos.
    Infelizmente, no mundo, existem pessoas que matam por dinheiro,
    pessoas que trocam vidas de amigos por dinheiro, troca dignidade
    por safadeza
    Um ser-humano é uma arma poderosa, não? Imagine +3000!
    Infelizmente, muitos aproveitam dessa situação!

  7. desconfiado permalink
    04/11/2011 15:20

    tem esse novo aqui

    http://www.5diretos.com.br

    eu assisti uma apresentação e cai fora

  8. Marco permalink
    10/05/2012 11:49

    E essa nova empresa, Mona vie, que atua com um sistema chamado “árvore binária”? Marketing multinível? O que seria, exatamente isso?

  9. dalmo permalink
    03/10/2012 0:00

    Perfeito, é isso ai. cara gosto de ver os idiotas empolgados com essas porcarias, (ate mesmo amigos, mas fazer o que) acho interessante que assim como o tempo todo estao nascendo malas, picaretas, tambem estao nascendo os idiotas que sempre vao dar continuidade a estas piramides, mas fazer o que, é ficar de fora sorrindo.

  10. André permalink
    10/01/2013 13:07

    Faltou uma clássica: Alan Harper. Sim, o próprio.

    Não consegui encontrar o episódio inteiro pra postar. Depois do que está nesse vídeo começa a parte em que ele paga os primeiros com o dinheiro dos demais.

    É uma ótima sátira aos esquemas piramidais…

  11. André permalink
    10/01/2013 16:46

    Encontrei o episódio inteiro pra assistir online (em inglês):

    http://s7icky.tv/tv-shows/two-and-a-half-men-season-8-episode-15/

    Rola até um “very excited business opportunity”. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência..

    Vale a pena assistir…

  12. Curioso permalink
    14/02/2013 10:37

    aí o outro Fernando Augusto(sem ser o moderador deste blog) nesse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=R8qYhh-Y3ww mostrando como fazer um discurso ensaiado parecer um papo informal de mesa de bar

  13. Paulo permalink
    21/06/2013 18:24

    Sei que as leis no Brasil são frouxas, e minha pergunta pode até ser ingênua demais. No entanto, existe alguma maneira de denunciar essas pirâmides na internet?
    Eu já contei umas 8, que vão desde “grandes investimentos” de R$600,00, a “pequenos”, de R$5,00.

    Temos que ficar olhando pacificamente? Recebendo propaganda por e-mail, vendo anúncio em sites diversos e observando conhecidos entrar nesses golpes?

    Obrigado.

    • Renata Lima permalink*
      21/06/2013 23:09

      Eu ja denunciei algumas pra delegacia de crimes na internet, as vezes mando pro MP de determinada localidade. Se muita gente denunciasse tenho certeza de que o volume de esquemas diminuiria.

  14. Montoya permalink
    19/05/2014 19:31

    Hahahahaha! Ri demais aqui.
    Muito bom seu post meu amigo.

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