Skip to content

Investimento ilusório, pirâmides financeiras e com produtos ameaçam a Colômbia

20/11/2008

Este é um post para retratar as conseqüências deletérias que, no limite, podem acometer uma sociedade por conta do livre funcionamento de esquemas piramidais. Como sempre alertaram os administradores e colaboradores desse blog, dentre essas conseqüências encontra -se a sempre presente SATURAÇÃO de mercado. O colapso de esquemas de pirâmides financeiras e de produtos na Colômbia (que fique registrado: mais de 240 esquemas), alimentado também pela crise de crédito internacional, provocou distúrbios que tiveram rebatimento em toda a economia real colombiana:


1) saques contra as empresas piramidais forçaram a quebra tanto de empresas “piratas” quanto de empresas piramidais “legais”, que quebraram ao não poder cumprir sua oferta de pagar juros elevados pela aplicação do capital nessas empresas. Vários responsáveis por vários escritórios que emprestavam dinheiro por juros de até 300% começaram a desaparecer a partir do dia 10/11/08, tornando o problema evidente. Segundo o governo colombiano, milhares de pessoas perderam dinheiro com esses esquemas, um golpe que lesou os poupadores em pelo menos U$S 870 milhões;


2) mas o pior de tudo ficou latente: o risco de desaquecimento econômico, por retirar uma enorme quantidade de dinheiro do mercado no início da temporada de Natal, dinheiro esse que seria utilizado para CONSUMO. Justo a Colômbia, que vive uma crise institucional e já tinha previsão de crescimento baixo para fins desse ano e para o ano que vem. Como conseqüência direta de1 e 2, temos


3) o Decreto de estado constitucional de emergência social no país pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, que se arrependeu por não intervir antes nos esquemas. O decreto que permite ao Executivo emitir medidas de urgência por um prazo inicial de 30 dias está em vigor desde meia-noite desta segunda, dia 17/11/08, possibilitando o confisco de dinheiro e bens de empresas que atuavam de forma fraudulenta. Dentre essas empresas, está a DMG (David Murcia Gúzmán) – que captou dinheiro de milhares de clientes em todo o país por meio de cartões “pré-pagos” para comprar eletrodomésticos e outros produtos – que terá seus bens e haveres confiscados, com vistas a devolver o dinheiro investido pelos poupadores. Isso mesmo leitor, uma pirâmide com produtos! Pra deixar claro que não são somente as pirâmides financeiras que podem ser considerados esquemas fraudulentos.

O governo também nomeou um interventor, que será encarregado de estabelecer os parâmetros para a devolução justa do dinheiro arrecadado, na qual as pessoas devem realizar uma solicitação de devolução e submetê-la à avaliação do interventor. Os lesados terão dez dias para solicitar a devolução de seus. Caso essa petição seja rechaçada, o solicitante terá direito a recurso de revisão da decisão e alguns dias adicionais para que seja estudado seu caso.

A seguir, mais informações e notícias sobre o caso.


Investimento ilusório, pirâmides financeiras ameaçam Colômbia

Qua, 19 Nov, 01h21

SÃO PAULO – Lucros elevados, retornos garantidos. As promessas de dinheiro fácil devem deixar com o pé atrás qualquer investidor consciente. Mas certas vezes, ganância, inocência e má-fé misturam-se para dar origem aos esquemas de pirâmide – que forçaram o governo colombiano a decretar estado de emergência.

Seu mecanismo é simples. São oferecidas possibilidades de lucro extraordinário a investidores, condicionadas a um aporte inicial em um fundo. No entanto, como não existem operações reais que justifiquem tais ganhos, todo o lucro embolsado pelos investidores iniciais é originado dos aportes realizados pelos que vêm depois, iludidos pelas grandes taxas de retorno.

Fazendo as contas, fica fácil perceber como o final da história é triste. Uma vez que o lucro de uma única pessoa é garantido pelos investimentos de várias outras, chega um momento em que não existem novas pessoas o suficiente. Com os temores de quebra, os resgates do investimento se intensificam e não há dinheiro para todos. Aos que ficam por último, restam grandes prejuízos.

Contendo a crise

As conseqüências sociais e econômicas trágicas do esquema fizeram o governo central colombiano decretar medidas de intervenção nas pirâmides, concedendo aos governos regionais a autoridade de polícia para fechar estabelecimentos suspeitos de envolvimento e para atribuição de penas mais duras a colaboradores da captação massiva de recursos.

No entanto, são cada vez maiores as críticas ao governo do país por omissão durante a proliferação do esquema, transformado em escândalo em 12 de novembro, quando o proprietário de uma das empresas mais conhecidas do esquema – a DRFE – teria deixado o país sem pagar os valores prometidos a seus clientes, resultando em protestos e saques em mais de 13 cidades do país. A onda de violência também provocou duas mortes.

Por sua vez, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu a demora das autoridades. “Me arrependo de não haver intervindo”, afirmou em entrevista coletiva realizada na última segunda-feira (17), embora tenha ressaltado a existência de entraves legais para a ação do governo.

Nesta quarta-feira, um juiz de Bogotá decretou a prisão dos diretores de outra empresa acusada de envolvimento – DMG. De acordo com jornais locais, o governo do país apreendeu 92,4 milhões de pesos colombianos (cerca de US$ 40 milhões) somente da empresa DRFE, mas suspeita-se do envolvimento de quase 70 outras empresas. Contudo, não há estimativas oficiais sobre o total de prejuízos ou pessoas envolvidas.

Mais a respeito da DMG

Colômbia insiste em medidas contra “pirâmides” e DMG pede para negociar

Bogotá, 18 nov (EFE).- O Governo da Colômbia reiterou hoje suas garantias para que os mecanismos financeiros ilegais que captam dinheiro, conhecidos como “pirâmides”, o devolvam e evitem processos penais, enquanto a milionária empresa DMG, que sofreu uma intervenção na última segunda, denunciou uma perseguição e ameaçou as autoridades para “negociar”. O Governo afirmou que as medidas do estado de emergência social, decretada ontem para enfrentar as quebras e fraudes das pirâmides, buscam proteger o público.

O controvertido empresário David Múrcia Guzmán, criador da DMG, pediu para o Governo que se sente para conversar, após a Polícia ocupar as 60 sedes desta empresa que comercializa eletrodomésticos e outros serviços por meio de cartões de consumo. Múrcia Guzmán, um ex-ajudante de câmera e de origem humilde, declarou no Panamá que de sua sociedade dependem 200.000 colombianos e que nesta empresa há acionistas estrangeiros e era negociada sua franquia para o Brasil e outras nações.

Os advogados e diretores da DMG convocaram uma entrevista coletiva em Bogotá na qual afirmam que este grupo não cometeu nenhum ilícito e acusaram o Estado de “violar de forma flagrante a lei” ao punir a empresa, que “não cometeu ilícito algum”. A Presidência da Colômbia lembrou hoje em comunicado que um dos primeiros decretos ditados ontem dentro do estado de emergência considera “crime sem libertação a conduta de não devolver o dinheiro captado de forma ilegal, qualquer que seja a natureza”. Declarou que as leis locais permitem que os promotores “suspendam a ação penal contra as quais manifestem a vontade de devolver o dinheiro e efetivamente o devolvam”.

(…)

O ministro da Fazenda, Óscar Iván Zuluaga, rejeitou qualquer possibilidade de negociar com a DMG, já que “há alguns processos de tipo penal em andamento” e “o que se está fazendo (a firma) é fomentar a captação em massa ilegal de recursos do público”.

Para ler a notícia completa, clique aqui

Abaixo, vídeo com protesto de algumas das milhares de pessoas lesadas pelos esquemas:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

No dia 22 de dezembro de 2008, em matéria publicada pelo  Estadão, pelo menos 5 pessoas ficaram levemente feridas e seis foram detidas por desordens no município de La Hormiga, no departamento (Estado) de Putamayo), 500 quilômetros a sudoeste de Bogotá. As pessoas protestavam por conta de mais uma empresa envolvida nos esquemas de pirâmides, a DRFE. Ela entrou em colapso por toda a Colômbia no meio de novembro, em meio a versões de que seu proprietário, Carlos Alfredo Suarez, tinha saído do país e não pagaria os clientes. Suarez é procurado pela polícia.

Esses acontecimentos na Colômbia deixam evidente que esquemas piramidais prejudicam imensamente parte de uma comunidade, região ou mesmo um país inteiro (caso da Colômbia). Simplesmente corrobora nossos alertas freqüentes no blog: os efeitos deletérios desses esquemas ao TECIDO SOCIAL. Cabe ao leitor ficar sempre atento e não se envolver emocionalmente e financeiramente com essas propostas sedutoras de ganho de dinheiro.

.

Leia também:

.

Entrevista com o especialista em fraudes do MMN – Jon Taylor

Entrevista com a especialista em fraudes do MMN – Tracy Coenen

A procura do MMN perfeito

O que está errado com o marketing multinível?

Sofismas e falácias dos distribuidores de MMN

Herbalife, Agel, Amway: MMN legítimo ou MMN pirâmide?

Herbalife: lavagem cerebral na prática – parte 1

Herbalife: lavagem cerebral na prática – parte 2

Um olhar psicanalítico acerca de grupos de distribuidores das empresas de marketing de rede e de fiéis de várias instituições religiosas

Herbalife: um negócio como outro qualquer?

Meu contato com Herbalife e MMN

Monavie: Os números de um bom negócio?

Teste para avaliar se uma empresa de MMN é ou não é pirâmide

Scripts para recrutar trouxas – parte 1

Scripts para recrutar trouxas – parte 2

Scripts para recrutar trouxas – parte 3

Scripts para recrutar trouxas – parte 4

Agel: outra nova Herbalife no mercado brasileiro?

No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: