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BBom: considerações acerca de seu plano de marketing e de sua sustentabilidade

21/07/2013

Atualizado em 23/07/2013

Clique aqui e veja a suspensão da UNEPXMILL/BBOM do quadro de associados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

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Nas últimas semanas, a Embrasystem Tecnologia em Sistemas – cujo nome de fantasia é BBom – por conta de processo ajuizado pelo Ministério Público Federal, foi “contemplada” com o bloqueio de seus bens, dos bens de seus sócios e com a proibição de novos cadastros em seu sistema. Por isso, aumentou na Internet o interesse por informações acerca dessa empresa e, principalmente, muito tem se debatido a respeito da seguinte questão: o sistema de marketing de rede – variante binário – da Embrasystem funciona na prática como uma pirâmide financeira, uma estrutura que não é sustentável a médio e longo prazos ou não? Após a proibição do recrutamento de novos associados, várias pessoas ainda têm dúvidas sobre a natureza desse sistema (um quase Ponzi). Esse post, que também é resultado da contribuição de vários leitores do blog via comentários, intentará responder a essa questão, organizando as informações para aqueles que ainda estão em dúvida sobre as características desse sistema ou que queiram conhecê-lo melhor.

1) Informações Preliminares sobre a empresa

A BBom é o nome de fantasia da empresa EMBRASYSTEM TECNOLOGIA EM SISTEMAS, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Conforme consta no contrato de associação, item iii, é uma divisão do Grupo Embrasystem, criado em 2008, que hoje detêm as marcas Unepxmil (criada em janeiro de 1996 com o foco inicial na prestação de serviços de assistência veicular) e BBOM, sendo que o grupo conta com sede administrativa em Indaiatuba/SP e escritórios em Alphaville/SP, São Paulo/SP, local que também se localiza a central de monitoramento dos rastreadores.

Ela comercializa equipamentos anti-furto em veículos em geral, multifunção, náutico, pessoal e assistência veicular, ou seja, rastreadores, por meio de um sistema que, de um lado, capta recursos dos associados e, de outro, repassa os rastreadores em regime de comodato para franqueados,  com uma estrutura descentralizada e unidades regionalizadas, através da FRANQUIA UNEPXMIL 48 HORAS. São aproximadamente dois mil franqueados em todo o Brasil. Há ausência de autorização da ANATEL para a venda desse rastreador.

O plano formulado para a captação de recursos, que significa aquisição de rastreadores por parte dos associados, está estruturado em pacotes, da seguinte forma:

- Pacote Ouro: gasto único de R$ 3.000,00, que dá direito a 20 rastreadores;

- Pacote Prata: gasto único de R$ 1.800,00, que dá direito a 12 rastreadores; e

- Pacote Bronze: gasto único de R$ 600,00, que dá direito a 4 rastreadores.

- Cada mensalidade gera 25 pontos para o associado e cada ponto equivale a R$1,00.

2) Plano de marketing da BBom

O sistema de marketing de rede da BBom, na prática utilizada como uma tentativa de se capitalizar, possui como variante o Binário. No binário o recruta só pode ter dois distribuidores frontais. Os recrutadores patrocinam novos associados, que ficarão embaixo dos distribuidores de sua rede. Aqui o prospecto é pago sobre o volume total de cada perna em vez de no número de níveis de distribuidores. Em outras palavras, em vez de receber pagamentos sobre cinco, sete, dez níveis de distribuidores, o prospecto recebe pagamento sobre um volume específico, não importando quantos níveis de profundidade o volume é encontrado. Ou seja, o recruta pode ter duzentos (200) níveis abaixo que TODOS esses 200 níveis farão parte do volume total.

Normalmente, nessa variante, é necessário ter um volume especificado em cada das pernas. O associado terá, no caso da BBom, uma perna mais forte que a outra, que pode perder volume significativo se o recruta não tiver prospectos na outra perna. Por exemplo: se a BBom paga ao recruta $20.000,00, dividindo em quantidades iguais irá $10.000,00 para cada perna. Se o associado possui $20.000.00 em uma perna e $5000,00 na outra, não receberá por essa última. A BBOM paga um bônus de R$9.000,00 para 30 planos Ouro fechados na perna mais fraca com a geração de 30.000 pontos. Para alcançar rendas mais altas, já que não é possível comprar vários planos ouro, prata ou bronze com o intuito de formar rede, recrutar, o associado deve continuar recrutando agressivamente e pode também comprar novos planos ouro para auferir o bônus comodato, como veremos adiante.

Dito isto, falemos especificamente do plano de marketing da Bbom, que é composto por sete bônus:

i) Bônus “Venda Direta”:  conforme consta no Contrato, é a venda feita pelo ASSOCIADO ao seu cliente final, pelo prazo de 36 (trinta e seis meses), sendo que nesta hipótese, a BBOM será responsável pelo acondicionamento e envio do rastreador, devidamente acompanhado de uma nota fiscal de remessa para comodato, com valor destacado. O associado recebe, pelo prazo de 12 meses, 10% sobre o valor líquido resultante da venda de produtos e serviços devidamente faturados para os clientes indicados diretamente, ou seja, das mensalidades pagas pelos clientes que tenham instalado os rastreadores, devendo ser emitido pelo ASSOCIADO o documento fiscal hábil para o recebimento da remuneração.

Ou seja, o incentivo para o bônus sobre a “venda direta” é minúsculo. Juntamente com o fato de que a maioria dos associados da Bbom NÃO POSSUEM vocação para vendas, por qual razão eles investiriam tempo para aprender a ganhar esse bônus irrisório? E em um mercado com vários competidores gigantes, como a PÓSITRON.

Pergunta ao leitor: dá pra levar a sério esse bônus de “venda direta”?

ii) Bônus Comodato: segundo o contrato, esse bônus é auferido em função do fluxo financeiro gerado, e com a expansão do estoque da BBOM, sobre as vendas feitas pela BBOM ao seus clientes finais, mediante a assinatura de Contratos de Prestação de Serviços de Monitoramento e Rastreamento e de Contratos de Comodato, de mesmo prazo de 36 (trinta e seis meses), com a BBOM sendo responsável pelo acondicionamento e envio do rastreador, devidamente acompanhado de uma nota fiscal de remessa para comodato, com valor destacado, o associado obtém um ganho de 50% sobre os serviços mensais pagos pelos clientes à empresa, através das mensalidades do comodato.

Quer dizer, se o aspirante a associado ou associado propriamente dito paga R$3000,00 para a BBom com vista a adquirir o Plano Ouro, recebe 20 rastreadores; ele fica com um rastreador e a BBom pega os outros 19 para alugar (comodatar) para empresas parceiras da UNEPXMIL – se não ficar em sua mão mesmo ou se na prática não repassá-los; o recruta tem a possibilidade de requisitar esses 19 rastreadores ou parte deles, se tiver carros ou clientes para utilizá-los -, através do sistema de franquias; depois, continua pagando a mensalidade de R$80,00 relativa ao rastreador que com ele ficou por conta daquilo que foi acordado EM CONTRATO. A UNEPXMIL, então, TEORICAMENTE recebe as mensalidades de seus 19 clientes (mais pra frente falaremos sobre esse “teoricamente”). Então, R$80,00 x 20 (por 19 rastreadores dos outros clientes mais 1 do recruta) = R$1600,00. Daí a empresa, COM O ALUGUEL DOS RASTREADORES (isso deve ficar bem claro, pois e se grande parte dos rastreadores não forem alugados, como é que fica?) paga R$800,00 POR MÊS relativo a esse aluguel (50%) durante 12 meses. Como o recruta também tem que pagar R$80,00 por conta dos “serviços prestados” relativo ao equipamento, acaba recebendo R$720,00 líquidos. Findo prazo contratual, o ciclo é reiniciado. Se o recruta decidir adquirir 100 contas Ouro, pois a BBOM assim permite, teoricamente ganhará R$864.000,00 (720 x 12 meses x 100 planos) menos 360000 (3000 x 12 x 100) = 504.000 por ano só com o bônus de comodato. Adiante falaremos das consequências do não aluguel dos rastreadores e da demanda nesse mercado.

iii) Bônus de Início Rápido: Ganho sobre os pacotes de produtos e serviços adquiridos no 1º pedido pelos Associados indicados diretamente. (20% sobre os bônus gerados pelo cadastro direto de novos recrutas). Por exemplo, no cadastro de um patrocinado com Pacote Bronze, recrutador felizardo ganhará 200 pontos e 20% destes pontos vêm em dinheiro, que corresponde a R$ 40,00; no cadastro de um patrocinado com Pacote Prata, recruta faz 600 pontos, e 20% destes pontos corresponde a R$ 120,00; e no Pacote Ouro, recruta faz 1000 pontos e 20% destes pontos que corresponde a R$ 200,00.

iv) Bônus de Equiparação: ganho de 2% sobre o bônus comodato pago até o 6º nível de profundidade. Se o recruta tem 50 recrutas em sua rede até o sexto nível que possuem o plano Ouro, por exemplo, o felizardo ganhará 80 x 50 x 0,02 = R$80,00 por mês. Dá pra comprar o leitinho das crianças, né?

v) Bônus Residual: Ganho de 6% sobre os pontos gerados pelos serviços comprados (mensalidade) pago até o 6º nível + 25 pontos para cada cadastro.  Ou seja, cada mensalidade paga pelos seus patrocinados (até o 6º nível) gerará 25 pontos, mais 6% destes pontos em dinheiro para o recruta “trabalhador”. E no escritório virtual ainda existe a opção pra que o recruta autorize a empresa a descontar por mês o valor da mensalidade do bônus comodato. Na prática significa maior vínculo do recruta com o sistema da BBOM.  Isso quer dizer que, se TODOS os downlines aderirem a esse sistema, 100% da rede do recruta estará ativa para receber todos as formas de ganho da empresa durante um ano! É um BÔNUS de RECRUTAMENTO típico (se eu NÃO tenho nenhum nível, eu não ganho esse bônus).

vi) Bônus Binário - Ganhos de Equipe: Ganho de 30% sobre o volume de pontos gerados na perna fraca do binário. Quer dizer, se a perna mais fraca gerou 100.000 pontos o recruta possui direito ao equivalente a 30.000 pontos! Bom pra quem almeja uma Ferrari ou um Lamborguini!

Ganhos de equipe binário BBOM

O leitor que está acompanhando o raciocínio facilmente percebe que, dos bônus de recrutamento, esse é o bônus que gera maior volume de dinheiro para os Bbombers. Um bônus pago por RECRUTAMENTO puro e simples, não por venda de rastreador.

vii) Bônus de Divisão de Lucros: Ganho de até 2% sobre o volume total de pontos da rede acumulados no período, de acordo com a qualificação dos diretos nas linhas:

5 recrutas qualificados como Diamantes duplo, triplo ou Embaixador – 1%

10 recrutas qualificados como Diamantes duplo, triplo ou Embaixador – 2%

Mais um bônus decorrente de RECRUTAMENTO.

Já as Premiações por Qualificação serão medidas pelo volume de pontos acumulados na perna mais FRACA do binário, como podemos visualizar abaixo:

Quadro do plano de qualificação BBOM

Façamos alguns cálculos. Suponhamos que tenhamos uma rede com 6 níveis detentores do plano Ouro (incluindo o próprio recruta), todos completos (pois é bem factível recruta chamar duas pessoas) e divididos de forma equânime nas duas pernas – só pra facilitar, pois ganha-se bônus . Então, teremos y= 2^(x-1) = 2^(6-1) – 2 = 30. Como temos duas pernas, serão 60 pessoas na rede.

Matriz binário

Com essas 60 pessoas, teremos:

Ingressos

Bônus Valor Repetições anuais Total
Início Rápido 400 1 400
Comodato 800 12 9600
Equiparação 80x60x0,02 = 96 12 1152
Residual 60x80x0,06 = 288 12 3456
Ganhos de equipe 9000 1 9000

Total geral

R$23.608,00
 

Desembolsos

Gastos Valor Repetições ao ano Total
Adesão 3000 1 3000
Mensalidade 80 12 960

Total geral

R$3.960,00

Ou seja, o ganho líquido anual é de R$23.608,00 – 3960,00 = R$19648,00 LÍQUIDOS! Um retorno de praticamente 600% sobre o valor investido em um ano! Mas sejamos otimistas e admitamos que 20% dos associados venham a desenvolver o recrutamento de novas pessoas. Mesmo assim teríamos um montante de bônus que superaria o pagamento da adesão aos planos, pois oneraria num montante próximo os R$3000,00 pagos para ser Ouro. Então, a empresa não terá, de qualquer maneira, condições de honrar o pagamento dos bônus somente com a instalação de rastreadores. É necessário entrar novos associados no tempo t = 0 para pagar o comodato e os bônus dos associados no tempo t – 1.

Reforçando a ideia, qual é o incentivo para se ganhar dinheiro com esse sistema? O bônus de venda direta? Não, não, é através da ociosidade propiciada pelo bônus comodato e os bônus de recrutamento da empresa. Ou seja, são cinco bônus pagos DIRETAMENTE pelo recrutamento de novos membros – equiparação, residual, início rápido, binário, de divisão de lucros -, um que na prática não vale nada – bônus sobre venda direta – e outro que paga pro recruta ficar ocioso, sem precisar fazer NADA – bônus comodato. E de onde vem o dinheiro para pagar os bônus ao longo do tempo? Das adesões e mensalidades pagas pelos recrutas, pois não há como acomodar uma oferta gigantesca de rastreadores geradores com as assinaturas dos planos com a demanda que não cresce na mesma magnitude. Ao contrário, a oferta nesses últimos 4 meses cresceu 1000%, e se a demanda tiver crescido 2% ao mês, será muito. Essência de pirâmide financeira. O produto é apenas o invólucro para um sistema insustentável. E indícios é que não faltam, dos quais no momento elenco 2:

1) de 7 bônus pagos, 5 estão relacionados DIRETAMENTE com recrutamento, e desses 7 bônus, o de comodato, pra quem fecha o plano ouro, toma conta de CINQUENTA POR CENTO da receita bruta com a venda de rastreadores para associados e o comodato, seja quantos planos a pessoa quiser comprar (se o associado quiser comprar 50 planos Ouro, pode);

2º) problema da velocidade de vendas para FORA da REDE (rastreadores INSTALADOS) muito suspeita para sustentar o pagamento de comissões, necessitando de novos recrutas constantemente entrando no sistema.

3) Batendo de frente com o mercado

Vamos aprofundar um pouquinho mais a análise. Voltemos também nossas baterias para a empresa, sua oferta de rastreadores e a demanda de mercado, para ratificar a seguinte questão: qual é a origem do dinheiro utilizado para pagar as comissões? A receita (cadastros) auferida COM O SISTEMA no tempo t é suficiente para cobrir o valor pago pelas comissões, no mesmo prazo de tempo? Em que percentual? Ou é necessário auferir receita no tempo t para pagar os bônus devidos no tempo t – 1? Aí reside o cerne da questão, pois aí fica claro que são necessárias novas adesões para que o esquema se sustente.

Façamos uma continha simples aqui. Suponhamos que a função para cada linha da BBOMBA seja y= 2^(x-1), onde ‘x’ é o número da linha e ‘y’ é o número de pessoas por nível; no nível 1, a quantidade de pessoas é igual ao somatório de y, com x variando de 1 ao infinito (e é perfeitamente factível preencher os níveis, pois cada recruta só precisa chamar duas pessoas). O que não é explícito, relativo ao potencial destruidor desse sistema, é que no 26ª nível o total de pessoas é de quase 67.108.864. E a frota de veículos é de aproximadamente 77 milhões, incluindo carros, motocicletas, caminhões, triciclos, motonetas, ônibus, reboques, tratores etc. Mas sejamos realistas e consideremos que, estourando, tenhamos uma demanda de 8 milhões de rastreadores por ano, como demonstraremos abaixo, e redes em 24 níveis que cubram todo o mercado, perfazendo um total de y= 2^(23) = 8.388.308 pessoas na BBom, com um rastreador na mão, tendo ou não carro. Em outras palavras, estamos abstraindo o fato de que a maioria dos rastreadores NÃO SÃO da BBom, ou não estamos considerando os rastreadores dos concorrentes da BBom. Por qual motivo 8 milhões de rastreadores? Vejamos a tabela abaixo:

frota de veículosFonte: Denatran

Nessa tabela, eu excluí os itens com menor quantidade, que não interferem na magnitude do montante total. Vejam que a FROTA de veículos é de 77 milhões emplacados, e não a DEMANDA por rastreadores, ou seja, aqueles veículos nos quais os aparelhos serão EFETIVAMENTE INSTALADOS. Se eu tenho, por exemplo, 43,5 milhões de automóveis emplacados, contando aqueles do arco da velha até 2013, digamos que, sendo bem otimista, o mercado POTENCIAL para rastreadores em veículos usados em 1 ano seja de 5%, teremos 2,25 milhões de rastreadores a serem instalados nesses automóveis, a R$80,00 cada. Podemos extrapolar de forma otimista e também dizer que a demanda do mercado será de 5% para o total de veículos USADOS. Assim, seriam, no total, 4 milhões de veículos, incluindo motos, caminhões e outros.

Só para lembrar o leitor, segundo Nakamura, da SIM Rastreadora, o Brasil possuía cerca de 1,4 milhão de veículos equipados com rastreadores em 2010. Esta base foi construída em 15 anos de mercado. Lá ele acreditava que a cada ano entrassem em serviço mais de 1 milhão de novos veículos para serem ativados. Costa, da Sascar rastreadores, comentou que, para 2011, 1,6 milhões de veículos teriam rastreadores instalados por aproximadamente 300 empresas que disputam o setor, o que levaria a uma consolidação e ajuste no setor.

Portanto, e os outros concorrentes? Não contam? O rastreador conjugado com os serviços de monitoramento da Btrac custa 59 pratas mensais; o da Hec Rast cobra 12 parcelas de R$ 100,00, que incluem o aparelho e sua instalação, bem como o serviço de rastreamento. Passado um ano após a contratação, as parcelas diminuem para R$ 60,00. E temos também os rastreadores Pósitron (presente em 96% das 20 mil lojas de acessórios espalhadas pelo Brasil), Panorama, Tracker, Villagro, Satix e outras empresas que vendem rastreadores a preços bem mais razoáveis, que varia de R$ 30 a R$ 50 de aluguel. Pra que então um valor de R$80,00 pelo rastreador e os serviços? Uma barra de chocolate suíço pra quem descobrir…

Suponhamos que a produção média anual de veículos seja de 4.000.000 de unidades (4 milhões) nos próximos 3 anos. Como os novos veículos, por conta da Deliberação 128/12 do Contran, devem vir com rastreadores DE FÁBRICA, teríamos então um incremento, além dos 4 milhões de veículos velhos de donos que QUISESSEM (pois não são obrigados) a instalar rastreadores, 4 milhões de veículos, perfazendo um mercado total de 8 milhões de veículos ano – e isso sendo bem otimista. Com esse número de empresas concorrentes no mercado (superior a 300) fatalmente a demanda será preço-elástica, e então as montadoras irão atrás daquelas empresas fornecedoras de equipamentos que ofereçam o melhor custo-benefício, incluindo preço, para seus carros. Isso é briga de gente grande, pois como associados atomizados como os da BBom teriam condições de procurarem as montadoras para fazerem suas “ofertas”?

Preste atenção até aonde vai o buraco, leitor: faturamento da BBom cresceu de 300.000 para 300.000.000 em 4 meses, por conta de decisão do Ministério Público. Suponhamos que todos os planos vendidos fossem ouro (para facilitar as contas). Seria então um crescimento de 1000%, com 100.000 (cem mil) planos ouro fechados. 100.000 x 20 (que é o nº de rastreadores por cada plano ouro vendido) = 2.000.000 – 2.000 (temos que tirar aquilo que já existia no início – os 0,1%) = 1.998.000 – 5% (de cada 20 rastreadores os Bbombers ficam com um), temos 1.898.000 rastreadores jogados nos franqueados em QUATRO MESES e 99.900 para os Bbombers, diluídos para entrega em 60 dias! Elevada oferta para uma demanda que cresce a uma taxa quase 1000 vezes menor resulta em quê, heim leitor? Crescendo exponencialmente dessa maneira, mas a taxas menores, pra ser bonzinho, em 8 meses a Embrasystem  chegará à demanda total do mercado! Mas e os rastreadores dos mais de 300 concorrentes?

Chegará à saturação rápida do mercado! Depressão num mercado com mais de 300 concorrentes? Os franqueados pressionarão para reduzirem o preço de captação, as receitas da BBom diminuirão… de todo ângulo que se observa o quadro, esse sistema é insustentável.

O crescimento do número de associados é muito mais rápido que a instalação de rastreadores, e por conta disso é que se torna necessária a utilização das receitas advindas dos novos comodatários para pagar os antigos (incluídos os bônus de recrutamento), assim como a produção de rastreadores, e assim por diante numa espiral até chegar ao limite. O crescimento exponencial dos associados e os rastreadores da concorrência atropelam qualquer chance de sustentação do sistema pela simples instalação e ganhos advindos do aluguel dos rastreadores. A base SEMPRE receberá pela entrada de novos associados.

Ou seja, ela não tem como produzir e honrar a distribuição de rastreadores para os associados e franqueados através do regime de comodato, como também lembra o Ministério Público, não há como pagar a maior parte dos 7 bônus com produtos já faturados e alugados, pois os franqueados não tem como instalar todos esses rastreadores em veículos. A não ser que ela desbrave novos mercados, como do Mercosul e depois, a Lua, Marte, Ganimedes, Andrômeda e outros “nichos galácticos”! Portanto, voltando lá ao que dissemos anteriormente, só as adesões e novas mensalidades conseguem segurar esse sistema, mas durante um tempo muito curto.

Considerações Finais

É esse o quadro que envolve a questão por trás do bloqueio de bens da empresa e dos sócios e da proibição do cadastro de novos associados, e não se os concorrentes se uniram para boicotar a BBom, se o mercado financeiro não quer que a BBom funcione por conta de ser uma proposta maravilhosa que atende aos anseios da população. Se não fosse bloqueada pelo MP, estouraria naturalmente pelo jogo de mercado. Só que aí as perdas seriam bem maiores.

Em resumo, a BBom possui problemas fundamentais, listados abaixo:

1) as receitas advindas das instalações de  rastreadores não são suficientes para bancar o bônus comodato e os bônus de recrutamento, necessitando assim de novas entradas de associados para tal. A velocidade de instalação de rastreadores não é suficiente para o pagamento de todos os bônus;

2) há um limite para as vendas de rastreadores, dada pelo tamanho do mercado/demanda real e projetada;

3) muito provavelmente, se o sistema continuasse nesse crescimento exponencial, a possibilidade dela ter TODOS os rastreadores em mãos seria ínfima (a elevada oferta seria virtual);

4) A Justiça conjuntamente com o MP bloqueou os bens da empresa, dos sócios e proibiu o cadastro (recrutamento) de novos associados.

Há um defeito de origem no DNA da proposta da BBom, envolta pelo marketing de rede. Se utilizarmos o Teste de Taylor conseguimos também ver claramente a característica piramidal desse sistema. É uma BOMBA! Funciona praticamente como um Ponzi típico. Prejuízo para milhares, provavelmente milhões se o MPF não interviesse. Que a Embrasystem pode ser sustentável não há dúvidas, mas a BBOM nesses moldes não é.

Alertamos o leitor aqui para uma nova empresa que utiliza um plano de marketing COPIADO da BBom: a LIBI Corporation MMN. Olho nela!

Obrigado a todos os leitores do blog (até mesmo os defensores da BBom). O debate faz com que todos nós compreendamos a profundidade de sistemas lesivos e pirâmides financeiras. Próxima parada: MultiClick.

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Herbalife sob fogo cruzado: após FBI, procurador de NY investiga “pirâmide” da companhia

17/04/2014

Quem acompanha o blog há anos sabe que há vários indícios e fatos – acerca da natureza e dinâmica do sistema de distribuição – que fazem com que a Herbalife, na prática, seja um esquema lesivo, vulgo pirâmide com produtos. E a empresa agora está passando por uma prova de fogo: desde o ano passado, o gestor de um fundo de investimento, Bill Ackman, investe pesado em apostas contra ações da empresa e convencendo diversas autoridades a se juntar a ele para ratificar LEGALMENTE a configuração piramidal de seu sistema. Recentemente a FTC, o Departamento de Justiça e o FBI começaram a investigar as denúncias a respieto das alegações de que o sistema carregado pela Herbalife é uma pirâmide. Agora, de acordo com o site InfoMoney, o  procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, também abriu uma investigação contra a empresa pelo mesmo motivo que o FBI. Vejamos os desdobramentos dos acontecimentos.

 

 Herbalife sob fogo cruzado: após FBI, procurador de NY investiga “pirâmide” da companhia

Procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman, abriu uma investigação em meio a alegações de que a companhia opera em um esquema de pirâmide, de acordo com fonte ouvidas pelo New York Post

 

SÃO PAULO – Após a FTC (Federal Trade Comission) o FBI (Federal Bureau of Investigation) e o Departamento de Justiça norte-americano passarem a investigar a Herbalife, desta vez, o procurador–geral de Nova York, Eric Schneiderman, abriu uma investigação em meio a alegações de que a companhia opera em um esquema de pirâmide, de acordo com fontes ouvidas pelo New York Post..

O jornal, citando fontes anônimas, disse que pelo menos dois informantes já prestaram depoimentos para a equipe de investigação de Schneiderman. O procurador também estaria ouvindo as reclamações de ex-distribuidores hispânicos que disseram ter sido lesados pela empresa.

A investigação da Promotoria de Nova York para a empresa de nutrição ocorre em meio a um inquérito civil e relatos de que o FBI também está observado como a Herbalife conduz seus negócios.

Na semana passada, O Financial Times divulgou que o FBI e o Departamento de Justiça norte-americano passaram a investigar a companhia. Em entrevista para o jornal, a Herbalife afirmou que não tem conhecimento de qualquer investigação por parte dos órgãos do governo e que não recebeu nenhum pedido formal nem informal solicitando alguma informação. “Nós levamos nossas obrigações de divulgação pública muito a sério. A Herbalife não pretende fazer qualquer comentário adicional sobre este assunto”, completou a companhia.

No início deste ano, a companhia já havia dito que concordava com a investigação da FTC e que via isto como uma oportunidade para corrigir possíveis erros dentro da empresa. Além disso, ela ressaltou que iria cooperar e que estava confiante de que estava de acordo com todas as leis e regulamentos.

A investigação criminal por parte do FBI aumenta os riscos para a Herbalife, que já enfrenta inquéritos civis de vários órgãos do governo e que estão olhando para a empresa com sede em Los Angeles. A companhia vende shakes nutricionais e suplementos através de milhões de distribuidores em mais de 80 países.

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Herbalife sob fogo cruzado: após FBI, procurador de NY investiga “pirâmide” da companhia – InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3293585/herbalife-sob-fogo-cruzado-apos-fbi-procurador-investiga-piramide-companhia
Herbalife sob fogo cruzado: após FBI, procurador de NY investiga “pirâmide” da companhia – InfoMoney
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Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3293585/herbalife-sob-fogo-cruzado-apos-fbi-procurador-investiga-piramide-sob fogo cruzado: após FBI, procurador de NY investiga “pirâmide” da companhia – InfoMonVeja mais em: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3293585/herbalife-sob-fogo-cruzado-apos-fbi-procurador-investiga-piramide-companhia

Caso Telexfree: Nota de Esclarecimento MP-AC

10/01/2014

Atualizando o blog: Telexfree não aceita sequer negociar a proposta do Ministério Público, como pode ser depreendido através da nota abaixo.

A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor vem a público esclarecer, para que não paire mais qualquer dúvida, que, ao contrário das informações divulgadas falsamente sobre negativa de negociação de compromisso de ajustamento de conduta por parte do Ministério Público com a empresa Ympactus, na audiência em que foi tentada a conciliação, foi feita pelo Ministério Público a proposta de acordo anexa, visando à devolução em menos de 100 (cem) dias de todos os valores investidos na empresa, a qual é presentemente divulgada exclusivamente com a finalidade de deixar claro que o processo não é resolvido por vídeos ou por conversas em redes sociais, porque processo tramita conforme a legislação em vigor e, também, que acordo não é imposto, é fruto de consenso. Não é desnecessário dizer, além disso, que, obviamente, as condutas a serem ajustadas em termos de ajustamento de conduta são condutas que observam a lei e não, simples frutos da vontade unilateral de quem é réu em processo.

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Cumpre dizer que foi a empresa Ympactus, por meio do Senhor Carlos Costa, presente na audiência, que não aceitou sequer negociar a proposta de acordo apresentada pelo Ministério Público em audiência, e que o processo agora se encontra na fase de instrução probatória, sendo que, por duas vezes, como já foi divulgado na imprensa, a empresa foi multada por atrasar o andamento do processo, sem se falar, em respeito ao segredo de justiça, do conteúdo da derradeira manifestação da empresa no processo, de modo que vem gerando assim incidentes que atrasam ainda mais a conclusão do processo, que, mesmo no recesso de final de ano foi movimentado pelo Poder Judiciário e devidamente despachado pelo Ministério Público, inclusive, antes mesmo do processo cair no sistema ministerial.

Sobre a quantia atualmente indisponibilizada para permitir o ressarcimento de todos que investiram neste negócio, é importante dizer que esta encontra-se em conta bancária judicial, e que o Ministério Público não possui qualquer gestão ou acesso a essa conta.

Ainda sobre esse processo, deixa claro que agora quem dará a palavra final será o Poder Judiciário, porquanto o Ministério Público é apenas autor da ação.

Na mesma oportunidade, em face das notícias de fato que chegaram ao Ministério Público trazidas por pessoas que investiram em pirâmides financeiras por meio de sites estrangeiros e do não recebimento de qualquer quantia prometida, especialmente por meio de site chinês, que não tem relação com a Ympactus, é bom que se esclareça, devem os investidores ter ciência de que inexiste norma sobre o ciberespaço, e que há apenas alguns julgados permitindo que o processo tramite pela justiça brasileira, sem prejuízo dos investidores buscarem a justiça estrangeira, no caso, a chinesa, com todos as dificuldades que isso representa. Essas questões legais devem servir para alertar a todos dos riscos que correm.

Alessandra Garcia Marques

Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor

Ministério Público do Estado do Acre

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Multiclick tenta evitar (eventual) bloqueio.

10/08/2013

A Multiclick, uma das empresas investigadas pela força tarefa formada por Ministérios Públicos estaduais e federais tenta, a todo custo, obter um pronunciamento jurídico para coibir o bloqueio e a suspensão de suas atividades, como foi feito com BBOM, Telexfree e Priples. Até o momento, a empresa não logrou êxito nas tentativas. Um processo foi extinto e outro corre em segredo de justiça no RN, sem decisão até a publicação deste post.

Existem ao menos duas investigações em curso, sendo que os respectivos andamentos não foram divulgados. Apesar da existência de inquéritos em curso, o presidente da empresa, motivado não se sabe por qual documento ou informação, afirmou em video que a empresa tinha sido “liberada” pelo judiciário. Esta informação – até prova em contrário – não procede. A multiclick CONTINUA sob investigação e até algum pronunciamento oficial ou abertura de processo (disponibilizado para consulta em algum site), recomenda-se cautela. A meu ver, a multiclick pratica o mesmo modelo de negócio proposto pelas empresas bloqueadas, com foco CLARO em recrutamento de pessoas. Infelizmente,  estas empresas não parecem confiáveis e há um histórico de mentiras envolvendo as mesmas e seus representates. Isto porquê, na telexfree, seu representante (Carlos Costa) mentiu diversas vezes em video, sendo desmentido oficialmente pelos “parceiros” que alegava possuir (Mapfre e Liberty), a BBOM, apesar do bloqueio, continuou recrutando, fato que motivou DOIS novos bloqueios e agora a Multiclick informa aos participantes que foi liberada, que inquéritos foram encerrados…sem que haja qualquer comprovação documental ou pronunciamento oficial por parte do Ministério Público ou outra autoridade responsável. Cabe aos participantes cobrarem a comprovação da alegada liberação. Alguns participantes, em foruns de internet, adotaram (e repassam) a tese no sentido de que uma sentença em  processo EXTINTO SEM MÉRITO foi o “aval” jurídico, o que não procede. E fica a pergunta para reflexão…por quê uma empresa tenta evitar bloqueio judicial que só seria concedido caso houvessem fortes indícios de atividade ilegal??? 

Abaixo, para informação e acompanhamento, materia publicada em 9.8.2013.

 

Investigada por pirâmide, Multiclick vai à Justiça para tentar evitar bloqueio

Apesar de existirem dois inquéritos, presidente diz que empresa está liberada pela Justiça

A Multiclick Brasil, investigada por suspeita de ser uma pirâmide financeira, procurou a Justiça para evitar que suas contas e atividades sejam bloqueadas. O congelamento foi a tática adotada por promotores e procuradores da República contra Telexfree , BBom e Priples, acusadas da mesma fraude. 

A Multiclick é a empresa para a qual o ator Sandro Rocha, um dos principais garotos-propaganda informais da Telexfree, migrou depois do bloqueio dessa empresa .

Assim como as três empresas já bloqueadas, a Multiclick Brasil informa atuar por meio do marketing multinível, sistema em que revendedores autônomos são premiados pelas vendas de outros comerciantes que atraem para a rede.

A diferença desse modelo legal de varejo para as pirâmides é que, nas fraudes, o faturamento da empresa depende mais das taxas de adesão pagas pelos revendedores do que dos produtos ou serviços em si.

Saiba mais: Infográfico mostra diferença entre marketing multinível e pirâmide financeira

Na Multiclick, o interessado deve pagar taxas de adesão que variam de R$ 600 a R$ 2.750, o que lhe dá direito a colocar anúncios na internet. Os investimentos permitem lucros de R$ 160 e R$ 800 por mês, respectivamente. A empresa informa em seu site que seus produtos são desenvolvimento de site e compartilhamento em rede social.

Para ter ganhos mais expressivos, porém, é necessário indicar mais integrantes.

“Você não precisa vender nada, não precisa indicar ninguém e você já está ganhando. (…) Mas você vai perceber que pessoas irão lhe procurar (…) E você vai indicar pessoas se quiser, e pode ter certeza, se você indicar pessoas, você vai ganhar muito dinherio nesse negócio além do que você já esará ganhando”, informa um vídeo de divulgação da Multiclick disponível na página da empresa.

Dois inquéritos

Tal modelo de negócios colocou a Multiclick na lista de 31 investigadas por uma força-tarefa nacional de combate a pirâmides financeiras . Ao menos dois ministérios públicos estaduais abriram inquéritos contra a empresa: o de Santa Catarina (MP-SC), em junho, e o de Rio Grande do Norte (RN), em julho .

Os advogados da Mutliclick, então, fizeram ao menos dois pedidos à Justiça para tentar evitar que os promotores exigissem  que as contas e as atividades da empresa fossem bloqueadas. A medida foi adotada contra  Telexfree , BBom e Priples , com a justificativa de garantir a devolução do dinheiro aos investidores.

O primeiro mandado de segurança chegou à Justiça Federal em Santa Catarina em 22 de julho. Na ação, os advogados pedem que os bens, contas bancárias, produtos e serviços da empresa não sejam bloqueados e que ela continue a poder ampliar sua rede de integrantes.

A juíza Ana Carine Busato Daros, da 2ª Vara da porém, não aceitou o pedido e determinou a extinção da ação.

Na quarta-feira (7), um pedido semelhante chegou à 4ª Vara da Fazenda Pública de Natal (RN). Os advogados argumentam que a Mutliclick não é pirâmide financeira e que suas atividades estão sendo investigadas por engano. O processo foi colocado sob segredo de Justiça e ainda não houve uma decisão sobre as solicitações da empresa.

Dono diz que não há inquéritos

Apesar da existência desses dois inquéritos, o presidente da empresa, Wagner Alves, diz, em vídeo, disponível na internet desde o fim de julho, que a empresa está livre de investigações.

“Nós não temos mais nenhum tipo de investigação contra nós. Nós fomos investigados e a Justiça decidiu que a Multiclick Brasil é uma empresa legal e deve continuar as suas atividades normalmente, tranquilamente”, explica Alves no vídeo. “Por isso fique tranquilo, divulgue isso para a sua rede, divulgue isso para sua equipe porque a Mutliclick Brasil veio para ficar.”

Fonte http://economia.ig.com.br/2013-08-09/investigada-por-piramide-multiclick-vai-a-justica-para-tentar-evitar-bloqueio.html

Dono da empresa de marketing multinível Priples é preso

03/08/2013

Dono de empresa marketing multinível Priples é preso

Publicado em 03.08.2013, às 10h34

sede

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A sede da empresa fica em Piedade, Jaboatão dos Guararapes

Foto: reprodução/site da Priples
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O dono da empresa de marketing multinível Priples, Henrique Maciel Carmo de Lima, de 27 anos, e a sua esposa, Mirele Pacheco de Freitas, foram presos na manhã deste sábado (3), em Piedade, Jaboatão dos Guararapes. Os dois são acusados de crime contra a economia popular e formação de esquema de pirâmide financeira.

LEIA MAIS:
» Donos da Priples têm bens, estimados em R$ 70 milhões, bloqueados

A prisão ocorreu na residência do casal. Também foram apreendidos pela polícia cerca de 300 mil dólares e carros de luxo, sendo uma rang rover e um camaro. O caso foi encaminhado para a delegacia do Ipsep, no Recife. O delegado Carlos Couto é o responsável pela investigação. Seis mandados de busca e apreensão haviam sido expedidos contra o casal.

camaro

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A polícia apreendeu dólares e carros de luxo na casa do casal Foto:Bobby Fabisak/JC Imagem

Os advogados do empresário foram os primeiros a chegar à delegacia do Ipsep. Por volta das 10h20, a viatura que transportava Mirele Pacheco chegou ao local. Em seguida, por volta das 11h20, foi a vez de Henrique Maciel Carmo de Lima. Ele entrou pela porta dos fundos da delegacia e não foi visto pelos jornalistas que aguardam informações em frente à unidade.

Henrique Mariano presta depoimento e vai ser encaminhado ao Instituto de Medicina Legal para exames de Corpo de Delito para, em seguido, ser levado ao Centro de Triagem professor Everardo Luna, o Cotel, em Abreu e Lima. Já a esposa dele, Mirele Pacheco, será levada à Colônia Penal Feminina do Recife, no bairro do Engenho do Meio, Zona Oeste da cidade.

HISTÓRICO - Em seu perfil no Facebook, a empresa Priples diz trabalhar no sistema de marketing multinível, onde os divulgadores do produto (no caso da Priples são anúncios na internet) recebem ganhos de 60% mensais em cima do valor investido.

Em julho, dezenas de divulgadores da empresa fizeram fila na sede da Priples, localizada no bairro de Piedade, por não terem recebido os pagamentos.

Por conta de atraso, alguns divulgadores entraram na justiça contra a empresa, como o estudante de direito Rinaldo Moreira Cavalcanti, que decidiu entrar com uma medida cautelar de arresto para garantir os R$ 10 mil gastos para iniciar suas atividades na empresa.

Telexfree – cronologia do processo

31/07/2013

Segue matéria do site IG com informação (comprovável mediante simples acompanhamento no site do TJAC) sobre andamento da medida cautelar inominada ajuizada contra Telexfree.  A empresa, considerada por muitos como a maior pirâmide financeira brasileira, não obteve êxito em 9 tentativas de reverter a decisão que bloqueou cadastros e pagamentos.  Os advogados da Telexfree ajuizaram medidas incabíveis, quais sejam, a cautelar no STJ (supressão de instância), dois mandados de segurança (incabíveis em face da questão estar sub judice na cautelar), embargos declaratórios (que não podem ser manejados para modificar decisão) e, finalmente, deixaram de pagar o preparo de agravo regimental. A empresa segue bloqueada e já foram ajuizadas ações individuais visando ressarcimento dos investidores em alguns estados brasileiros. O blog publicará em breve um post  com considerações acerca da ação civil pública, inclusive de cunho jurídico. Na oportunidade, agradecemos a colaboração de vários leitores que têm, diariamente, trazido informações sobre Telexfree, Bbom, Multiclick, Blackdever, além de noticiarem esquemas suspeitos. Sem o auxílio de cada um, este blog não teria condições de prestar informações completas neste momento de caça as pirâmides financeiras.

 

Telexfree sofre 9ª derrota no Acre e apresenta novo recurso; bloqueio segue

Novos pedidos podem ser avaliados por desembargadores amanhã e segunda-feira (5)

A Telexfree sofreu a 9ª derrota no processo que bloqueou os pagamentos da empresa em 18 de junho . Na segunda-feira (29), os três desembargadores da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) recusaram um novo recurso para tentar reverter o congelamento das contas. Em 24 de junho, esses mesmos magistrados já haviam derrubado outro pedido feito pela defesa .

O Ministério Público do Acre (MP-AC) acusa a Telexfree de ser, possivelmente, a maior pirâmide financeira do Brasil. A empresa informa comercializar pacotes de telefonia por internet (VoIP) via marketing multinível – pelo qual revendedores ganham bônus por vendas de outros revendedores que trazem para o negócio. A rede da Telexfree tem cerca de 1 milhão de associados no País .

Procurados, os representantes da empresa não se posicionaram até a publicação desta reportagem. Em ocasiões anteriores, eles negaram irregularidades e afirmaram que continuarão a recorrer da decisão.

Leia também : ‘As pessoas confundem revenda com pirâmide’, diz diretor da Telexfree

O recurso julgado nesta segunda-feira (29) era um embargo de declaração, usado geralmente para esclarecer uma decisão anterior e não para derrubá-la. A Telexfree, porém, tentou usar o mecanismo para modificar a sentença que bloqueou os pagamentos, entenderam os desembargadores, o que não é válido.

Saiba mais:  5 aplicativos para fazer chamadas de voz e vídeo de graça pela internet

A Telexfree tem mais dois recursos para serem analisados pelos desembargadores do TJ-AC. O principal é o agravo de instrumento, que pode ser julgado na próxima segunda-feira (5) pela mesma 2ª Câmara Cível.

O outro é um agravo regimental contra uma outra decisão contrária, tomada pelo desembargador Adair Longuini, presidente da 1ª Câmara Cível do Tribunal, numa medida cautelar. Esse pode ir a julgamento já nesta quarta-feira (31).

Além de oito derrotas na Justiça do Acre, a defesa da Telexfree também sofreu uma no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Veja abaixo a cronologia do processo:

18 de junho

Juíza Thaís Khalil concede a liminar que bloqueia as atividades

24 de junho

Desembargador Samoel Evangelista nega agravo de instrumento (o primeiro recurso) contra a liminar

2 de julho

Ministra Isabel Galloti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nega medida cautelar dos advogados contra a liminar

8 de julho

Desembargadores da 2ª Câmara Cível negam agravo regimental (segundo recurso) contra a decisão do desembargador Samoel Evangelista no agravo de instrumento (o primeiro recurso)

10 de julho

Desembargadora Eva Evangelista nega mandado de segurança (terceiro recurso) contra a liminar

12 de julho

Desembargadora Eva Evangelista nega 2º mandado de segurança (quarto recurso) contra a liminar

19 de julho

Desembargador Adair Longuini nega medida cautelar inominada (quinto recurso) contra a liminar

24 de julho

Pleno do Tribunal de Justiça do Acre nega agravo de instrumento (sexto recurso) contra a decisão do desembargador Adair Longuini

29 de julho

2ª Câmara Cível nega embargos de declaração (sétimo recurso) contra a negativa do agravo regimental (segundo recurso)

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BBom publica informação falsa para tranquilizar associados, diz MPF

26/07/2013

Não bastasse os problemas atuais com a Justiça e com o MPF, a BBom parece querer acrescentar outras querelas na sua briga, que se transfiguram na prática como um tiro no próprio pé.

Está mais para puro desespero, não acha leitor?

BBom publica informação falsa para tranquilizar associados, diz MPF

Mikaella Campos, Rodrigo Lira e Vinícius Valfré | Redação Multimídia

Impedida pela Justiça de cadastrar novos membros e de pagar seus associados, a BBom publicou em seu site uma informação inverídica como estratégia para tranquilizar os investidores que estão com o dinheiro bloqueado. É o que destaca a procuradora do Ministério Público Federal de Goiás (MPF/GO), Mariane Guimarães, que investiga a empresa.

Ao determinar o bloqueio dos bens da empresa, a Justiça Federal em Goiânia (GO) também obrigou a empresa, acusada de ser uma pirâmide financeira disfarçada, a publicar em seus sites um comunicado sobre a decisão judicial. Mas a BBom foi além e acrescentou à nota que está restruturando o plano de marketing da empresa, “em atendimento a recomendação do MPF e do Ministério Público do estado de Goiás”.

Para a procuradora Mariane Guimarães, a BBom quis usar a informação falsa como uma estratégia para a crise que enfrenta.

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Entrevista com o dono da marca BBom

Participantes de empresas investigadas se reúnem para discutir a legalização do MMN

Telexfree é uma Telexfria

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Decisão inédita no MT que pode criar precedente contra Telexfree

24/07/2013

Em decisão inédita no Brasil, juíza de MT determina que Telexfree devolva dinheiro a divulgador

Em 24 de julho de 2013 as 09h35

Importância a ser devolvida é de R$ 100 mil. Decisão pode abrir precedentes a outros divulgadores que sentiram lesados pela empresa de marketing multinível.

Fonte: Expresso MT

A juíza Milene Aparecida Pereira Beltramini, determinou que a empresa Telexfree, suspeita da prática de pirâmide financeira devolva ao divulgador Samir Badra Dib, a importância de mais de R$ 100 mil, referentes aos ‘kits voip’ Telexfree, adquirido por ele.

A sentença que é inédita em todo país pode abrir um precedente para que outros divulgadores também sejam restituídos de seus investimentos, pois por determinação judicial a Telexfree teve as atividades e os bens congelados.

No parecer favorável a proposta de tutela antecipada, a magistrada expôs que a liberação do recurso tem como finalidade ressarcir o divulgador, autor da proposta e ainda determinou o pagamento de multa diária de R$ 1 mil caso o valor de R$ 101.574 não seja efetuado em um prazo de 10 dias. A quantia ficará bloqueada na conta do Tribunal de Justiça do Estado até o desfecho do processo.

NOTIFICAÇÃO

Na decisão da magistrada,  Milene Aparecida Pereira Beltramini, ainda consta que 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco no estado do Acre deve ser notificada da devolução do dinheiro do divulgador, já que por decisão da titular da daquela vara, a juíza Thaís Queiroz Borges de Oliveira Abou Khalil, as contas da Telexfree estão bloqueadas.

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